absurdos

Quarta-feira passada, aula de Pensamento Econômico...

 trrriiiiiiiiiiiimmmm ttrrrrriiiiiiimmmmm(Telefone tocando )

- Desculpa Profº, esse NEXTEL é da empresa, é um cara chato ligando pro dono anterior e...

trrriiiiiiiiiiiimmmm ttrrrrriiiiiiimmmmm... (o telefone continua tocando e o garoto com ele na mão)

- Pera ae, acho que vou tirar a bateria... não sei desligar essa p****!

http://SUS_ABSURDOS.zip.net

pequena pausa na correria da temida semana de PROVAS (em todos os sentidos, ñ só o acadêmico!)

Dois mil e lá vai fumaça

23.04.2005 |  É sim ou não, fumaça branca ou preta, sem papo furado, explicações evasivas ou blablablás desnecessários. “Habemus” ou “non habemus”, e ponto final. Confesso – já não lembrava mais os detalhes do ritual – que a princípio achei meio ridículo o povo acampado ali na Praça de São Pedro esperando o pronunciamento daquela chaminé de padaria da Capela Sistina nesses tempos em que até os pataxós já se comunicam por e-mail. Depois, pensando bem, considerei as vantagens do sistema. Nos pouparia de muita chateação se empregado, por exemplo, no Congresso Nacional. Imagine deputados e senadores trancados em conclave o ano legislativo inteiro, sem dar um pio sobre esse ou aquele assunto a que se dedicam no momento. Se um dia porventura viessem a aprovar a reforma fiscal, soltariam uma fumacinha branca, e pronto! Já pensou que maravilha viver num Brasil assim?

Nenhuma palavra sobre trancar a pauta, nepotismo, articulação política, reeleição, aumento dos juros, queda do dólar, pesquisas com célula-tronco, tramitação de medidas provisórias, plebiscito sobre desarmamento, B.O. do aborto, desfusão do Rio de Janeiro, demarcação das terras indígenas, soldo dos militares, aerolula, metas de inflação, alianças com o PMDB, Severino... A imprensa, naturalmente, seria proibida de entrar no Congresso, mas ganharia um posto privilegiado de observação da chaminé do legislativo. Os jornais seriam reduzidos a três ou quatro páginas relacionando assuntos que de véspera mereceram fumaça branca ou preta.

Imagine só de quantas bobagens Lula não seria poupado se, a exemplo dos cardeais, estivesse proibido de comentar seus atos. O presidente – que, cá pra nós, nunca escondeu seu gosto por umas boas baforadas – teria sido melhor compreendido, aqui e na África, se, em vez de evocar o martírio do cálculo renal, mandasse uma fumacinha preta para a escravidão. Se bem que Lula, como se sabe, prefere a fumaça branca. Para ele está tudo decido, tudo certo, nem pro Romero Jucá o homem dá fumaça preta. É o contrário do Diogo Mainardi que não solta fumaça branca pra ninguém em sua coluna na “Veja”. Parece van queimando óleo, né não?!

A bem da verdade, o brasileiro desaprendeu a discutir faz tempo. Somos apenas contra ou a favor seja lá do que for, sem muita convicção de coisa nenhuma. A falta de idéias é, em geral, defendida com ofensas e xingamentos típicos da escassez de argumentos. Ora bolas, se é só para dizer que sim ou para dizer que não, francamente, não há por que sacrificar o verbo com asneiras sem pé nem cabeça. O sistema de fumacinhas daria um quê de civilidade à política nacional.

Na vida privada a coisa também poderia funcionar muito bem se a indústria inventasse dispositivos individuais de liberação de fumacinhas, já que ninguém pode andar por aí com uma chaminé na cabeça. Algo de bolso que você pudesse sacar para autorizar ou desautorizar seu filho a pegar seu automóvel ou sua mulher a mandar ver no cartão de crédito. Os solteiros também poderiam economizar um bocado de lábia na arte da paquera fazendo uso da engenhoca. Bastaria piscar o olho pra gata e esperar pela cor da fumacinha que ela soltaria em resposta.

Ainda que nada disso tenha o menor cabimento, convenhamos, tudo o que vimos e ouvimos esta semana sobre a sucessão do papa também não parece coisa do tempo que vivemos, os anos dois mil e lá vai fumaça.



tutty@nominimo.ibest.com.br     /     No Mínimo - Tutty Vasques

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